Segurança de Processos em Angola

Quando o risco deixa de ser o trabalhador e passa a ser a instalação.

Um trabalhador que cai de uma plataforma sofre uma lesão. Uma tubagem que perde contenção pode destruir a unidade, atingir a comunidade vizinha e parar a operação por meses. São dois problemas diferentes, com causas diferentes, métodos de análise diferentes e soluções de engenharia diferentes.

A segurança de processos trata do segundo. Ocupa-se dos cenários de perda de contenção de substâncias inflamáveis, tóxicas ou armazenadas sob pressão, e dos eventos de baixa frequência e consequência elevada que daí resultam: incêndios em jacto e em poça, explosões de nuvem de vapor, BLEVE, dispersão de nuvens tóxicas, sobrepressão e ruptura de equipamento.

A Safeflow HSE alargou a sua actuação a esta disciplina para responder a uma lacuna concreta do mercado angolano. Com a entrada em operação de nova capacidade de refinação, o avanço de projectos de fertilizantes e de gás, e a exigência crescente das operadoras internacionais sobre a sua cadeia de fornecimento, há em Angola um número crescente de instalações que precisam de estudos de risco de processo e um número muito reduzido de equipas capazes de os conduzir no país.

Solicitar âmbito e proposta técnica

Segurança de Processos não é Segurança no Trabalho

Esta é a confusão mais comum e a mais custosa. Muitas empresas em Angola cumprem exemplarmente as obrigações de higiene e segurança no trabalho, mantêm indicadores de sinistralidade baixos, e continuam expostas a um evento capaz de destruir a instalação. Os dois domínios não se substituem: complementam-se.

Critério Segurança no Trabalho (HSST) Segurança de Processos
Objecto de protecção A pessoa exposta ao posto de trabalho A integridade da contenção e da instalação
Evento típico Queda, entalamento, choque eléctrico, exposição a agente químico Fuga, incêndio, explosão, dispersão tóxica, ruptura de equipamento
Frequência Elevada, muitos eventos de baixa gravidade Muito baixa, poucos eventos de gravidade extrema
Vítimas potenciais Em regra uma pessoa Múltiplas pessoas, incluindo terceiros e a comunidade vizinha
Método de análise Identificação de perigos com matriz de risco, inspecção, observação de tarefa HAZOP, HAZID, What-If, LOPA, análise quantitativa de riscos, modelagem de consequências
Barreira predominante Procedimento, formação, sinalização, equipamento de protecção individual Projecto de engenharia, sistema instrumentado de segurança, alívio de pressão, detecção e mitigação
Referencial Lei n.º 7/15, Decreto n.º 31/94, ISO 45001, ISO 31000 CCPS Risk Based Process Safety, IEC 61511, IEC 61508, API, NFPA, Decreto n.º 1/09
Indicador Índice de frequência e de gravidade de acidentes Perdas primárias de contenção, integridade de barreiras críticas, desvio de condições operacionais seguras
Interlocutor na empresa Direcção de Recursos Humanos, HSST Engenharia, Operações, Integridade, Manutenção

O ponto crítico é este: os indicadores de sinistralidade ocupacional não detectam risco de processo. Uma instalação pode registar zero acidentes com baixa durante anos e estar, nesse mesmo período, a acumular alterações não avaliadas, alarmes cronicamente inibidos, válvulas de segurança fora de prazo de ensaio e desvios de operação tolerados por hábito. Foi exactamente esse padrão que precedeu os grandes acidentes industriais das últimas décadas, em instalações que, à data, exibiam bom desempenho de segurança do trabalho.

Se a sua empresa já trabalha connosco em segurança no trabalho, a análise de riscos de processo é a camada que falta acima dessa base, não uma alternativa a ela.

Portfólio de estudos e análises

Os estudos abaixo não são serviços independentes. Formam um sistema, em que o resultado de um alimenta o seguinte. Contratá-los isoladamente e fora de sequência é a forma mais rápida de gastar orçamento sem reduzir risco.

Identificação e análise de perigos

Estudo HAZOP

Análise sistemática de perigos e operabilidade, conduzida nó a nó sobre os desenhos de tubagem e instrumentação, com equipa multidisciplinar. É o método de referência para instalações de processo contínuo e o ponto de partida natural do conjunto.

HAZID, What-If e Análise Preliminar de Perigos

Métodos de identificação aplicáveis em fases iniciais de projecto, em instalações menos complexas ou quando não existe documentação de detalhe suficiente para um HAZOP.

Metodologia Bow Tie

Representação gráfica do evento de topo, das ameaças que o podem originar, das consequências que dele decorrem e das barreiras preventivas e mitigadoras. É a ferramenta mais eficaz para comunicar risco de processo à gestão e para identificar barreiras críticas cuja degradação passa despercebida.

Quantificação e dimensionamento

LOPA, análise de camadas de protecção

Avaliação semiquantitativa que verifica se as camadas de protecção existentes reduzem a frequência do cenário até ao critério de tolerabilidade adoptado. É a ponte entre o HAZOP e a definição de requisitos para os sistemas instrumentados.

SIL, SIS e SIF: segurança funcional

Classificação do nível de integridade de segurança das funções instrumentadas e verificação de que a arquitectura, a taxa de falha e o intervalo de ensaio cumprem esse nível, conforme a IEC 61511. Um alarme e um intertravamento não são a mesma barreira, e a diferença tem de estar demonstrada.

Modelagem de consequências

Cálculo do alcance físico dos cenários: dispersão de gás inflamável e tóxico, radiação térmica de incêndio em jacto e em poça, sobrepressão de explosão, BLEVE. É o que transforma «há risco de fuga» em «a 45 metros a jusante a concentração ainda é letal».

Análise Quantitativa de Riscos

Integração de frequência e consequência em métricas de risco individual e social, com comparação com critérios de tolerabilidade. É o estudo que fundamenta decisões de investimento elevado e negociação com terceiros.

Zonas de segurança e implantação de instalações

Avaliação da vulnerabilidade de edifícios ocupados, salas de controlo e áreas de concentração de pessoas face aos cenários modelados. É a resposta técnica ao artigo 29.º do Decreto n.º 1/09.

Gestão e melhoria

Gestão de Segurança de Processos

Implementação de um sistema de gestão estruturado segundo os elementos do Risk Based Process Safety do CCPS, incluindo avaliação de lacunas face à situação actual, integração de alterações, integridade de activos, competência do pessoal de operação e indicadores adequados.

Investigação de acidentes industriais

Investigação de causa raiz de eventos de processo, incluindo quase acidentes e perdas primárias de contenção sem consequência. É o cumprimento prático do artigo 53.º, alínea i), e a fonte de aprendizagem mais barata que existe.

Estudo de Análise de Riscos para licenciamento

Estudo estruturado para instrução de processos de licenciamento ambiental, articulado com a avaliação de impacte ambiental.

Formação em segurança de processos

Formação em HAZOP, LOPA, Bow Tie e fundamentos de segurança de processos, dirigida a equipas de engenharia, operação e HSE. Sem competência interna, os estudos ficam em relatório e não chegam à instalação.

Que estudo em que fase do ciclo de vida

Contratar o estudo certo na fase errada é desperdício. A tabela abaixo indica a sequência que produz o melhor retorno por unidade investida.

Fase Estudo indicado Porquê nesta fase
Concepção e viabilidade HAZID, análise preliminar de perigos, implantação preliminar Neste momento ainda se pode alterar a localização da unidade e a filosofia de processo, que são as decisões de maior impacto e menor custo
Projecto básico e FEED HAZOP, modelagem de consequências, classificação SIL, zonas de segurança O projecto ainda é papel. Alterar tubagem em papel custa uma fracção do que custa alterar tubagem em aço
Projecto de detalhe Verificação SIL, revisão de HAZOP às alterações, análise de alívio de pressão Confirmação de que o dimensionado corresponde ao especificado
Construção e pré-arranque Revisão de segurança pré-arranque, verificação de recomendações fechadas Última oportunidade antes de introduzir substância perigosa no sistema
Operação Revalidação periódica de HAZOP, LOPA de cenários específicos, indicadores de barreira A instalação afasta-se progressivamente do projecto original. O estudo tem de acompanhar
Alteração Análise de riscos da alteração, no âmbito da gestão de alterações A alteração não avaliada é a causa recorrente mais bem documentada de acidente de processo
Paragem programada Análise de riscos de operações simultâneas, revisão pré-arranque Concentração de trabalho, pessoal não habitual e sistemas parcialmente energizados
Descomissionamento Análise de riscos de desactivação, inertização e limpeza Artigos 26.º e 27.º do Decreto n.º 1/09. Sistema vazio não é sistema seguro

Sectores de actuação

Petróleo e gás

Produção, processamento e transporte, em terra e no mar. É o sector com o portfólio de estudos mais extenso e com maior maturidade de exigência, por via dos padrões corporativos das operadoras. Inclui unidades de processamento de gás, sistemas de compressão, separação, tratamento e exportação.

Refinação

Angola atravessa o maior alargamento da sua capacidade de refinação desde a independência, com a Refinaria de Cabinda em operação e os projectos do Soyo e do Lobito em curso. Unidade de refinação em arranque é o momento de maior densidade de necessidade técnica de todo o ciclo de vida: revisão de segurança pré-arranque, revisão de filosofia de alarmes, verificação de sistemas de alívio, HAZOP de alterações de comissionamento.

Química e fertilizantes

O desenvolvimento de capacidade nacional de produção de fertilizantes traz para Angola inventários significativos de amoníaco e de intermediários sob pressão. O amoníaco é simultaneamente tóxico e inflamável, com comportamento de dispersão complexo por efeito de nuvem densa em libertação pressurizada. Exige modelagem específica, definição criteriosa de zonas de exclusão e projecto de detecção que não se resolve com posicionamento por intuição.

GPL, combustíveis e terminais

Armazenagem e movimentação de gás de petróleo liquefeito, gasolina e gasóleo. Reservatórios pressurizados de GPL concentram os cenários de consequência mais severa que existem em instalação fixa, com destaque para o BLEVE. Terminais costeiros acrescentam operações de transferência, interface navio-terra e simultaneidade de actividades.

Mineração e processamento mineral

Explosivos, poeiras combustíveis, processamento hidrometalúrgico e reagentes. Com a entrada em exploração de novos projectos minerais, incluindo terras raras, o processamento químico associado passa a exigir análise de risco de processo e não apenas de segurança mineira.

Energia, utilidades e indústria transformadora

Centrais térmicas, sistemas de vapor e de fluido térmico, refrigeração industrial por amoníaco, cabinas e sistemas de gás combustível, e qualquer unidade com inventário de substância perigosa sob pressão ou temperatura.

A nossa equipa técnica

Os estudos de segurança de processos são conduzidos por engenharia com percurso em unidades de processo, não pela equipa de higiene e segurança ocupacional. São competências distintas e não intercambiáveis.

Cada estudo é conduzido por um facilitador com experiência específica na metodologia aplicada, apoiado por relator técnico dedicado, e reforçado com especialistas de disciplina conforme o âmbito exija: processo, instrumentação e controlo, tubagem e materiais, equipamento rotativo, sistemas de segurança e resposta a emergência. A composição da equipa consta da proposta, com identificação nominal e percurso de cada elemento.

Mantemos o princípio de que o facilitador de um estudo não pode ser quem elaborou o projecto em análise. A independência entre quem projecta e quem questiona é o que dá valor ao exercício.

Do lado do cliente, o estudo exige participação efectiva de quem conhece a instalação: operação com experiência de turno, manutenção e engenharia de processo. Nenhum consultor externo, por competente que seja, sabe que aquela válvula fica presa quando a linha aquece. Essa informação está no pessoal de operação e o método existe justamente para a extrair.

Perguntas frequentes sobre Segurança de Processos em Angola

Qual a diferença entre avaliação de riscos profissionais e análise de riscos de processo?

A avaliação de riscos profissionais analisa a exposição do trabalhador ao seu posto e tarefa, e conduz a medidas de procedimento, formação e protecção individual. A análise de riscos de processo analisa cenários de perda de contenção da instalação, e conduz a medidas de projecto de engenharia, instrumentação de segurança e mitigação. São exercícios complementares, com métodos, equipas e resultados diferentes. Uma empresa pode cumprir integralmente o primeiro e estar exposta no segundo.

A legislação angolana obriga a realizar estudos de segurança de processos?

Não existe um diploma dedicado que imponha, por exemplo, «realizar HAZOP». Existem, sim, obrigações que na prática só se cumprem de forma defensável com esses estudos: os aspectos de segurança no plano de desenvolvimento e produção (artigo 22.º, alínea k), do Decreto n.º 1/09), as zonas de segurança (artigo 29.º), os procedimentos de segurança e emergência (artigo 31.º, alínea r)) e os sistemas de segurança operacional sujeitos a fiscalização (artigo 53.º, alínea f)). A par disso, os padrões corporativos das operadoras internacionais impõem-nos contratualmente aos seus fornecedores.

Já temos certificação ISO 45001. Isso não cobre a segurança de processos?

Não. A ISO 45001 é uma norma de sistema de gestão de segurança e saúde do trabalho, orientada à protecção do trabalhador. Não contém requisitos sobre integridade mecânica de equipamento sob pressão, gestão de alterações de processo, análise de perigos de processo, segurança funcional de sistemas instrumentados ou dimensionamento de alívio de pressão. Uma instalação certificada pode ter todos esses elementos ausentes e manter a certificação.

A minha instalação é pequena. Preciso mesmo de um estudo de perigos?

A dimensão da instalação não determina a severidade do cenário. Determinam-na o inventário, a pressão, a temperatura, a toxicidade e a distância a pessoas. Um reservatório de GPL de pequena capacidade junto a um edifício ocupado apresenta cenário mais severo do que uma unidade grande de fluido não inflamável em local isolado. Para instalações menos complexas existem métodos proporcionados, como o What-If estruturado ou a análise preliminar de perigos, com esforço muito inferior ao de um HAZOP completo.

Quanto tempo demora e quanto custa?

Depende do número de nós, da complexidade do processo e da qualidade da documentação disponível. Um What-If de instalação simples resolve-se em dias. Um HAZOP de unidade de processo ocupa tipicamente entre uma e três semanas de sessões. Uma análise quantitativa de riscos completa desenvolve-se ao longo de semanas a meses, porque depende de modelagem e de recolha de dados. Não trabalhamos com preço de tabela por este motivo: o âmbito determina o esforço, e definir o âmbito é a primeira coisa que fazemos, sem custo.

Os estudos são conduzidos em Angola?

As sessões de identificação de perigos, como HAZOP, HAZID e What-If, são conduzidas presencialmente na instalação ou em sala com a equipa do cliente, porque dependem de discussão entre pessoas que conhecem o equipamento. Trabalho de modelagem, cálculo e elaboração de relatório pode ser desenvolvido remotamente. Sessões em regime remoto ou misto são possíveis quando a logística o justifica, com perda de eficácia que é preciso assumir de forma honesta.

Que documentação preciso de reunir antes de começar?

Para um HAZOP: desenhos de tubagem e instrumentação actualizados e conferidos com o campo, fluxogramas de processo, balanços de massa e energia, fichas de dados de segurança das substâncias, filosofia de operação e de controlo, matriz de causa e efeito, lista de alarmes e intertravamentos, e histórico de eventos e alterações. A qualidade desta documentação é o factor que mais determina o valor do estudo. Se não estiver disponível ou não corresponder à instalação real, dizemo-lo antes de começar, e não depois.

Em que fase do projecto devo contratar?

O mais cedo que a informação permitir. O valor de um estudo de perigos é inversamente proporcional ao grau de congelamento do projecto: uma recomendação emitida em FEED implementa-se com alteração de desenho, enquanto a mesma recomendação emitida depois do arranque implica paragem, obra e perda de produção.

Precisa de um estudo de riscos de processo?

Começamos pelo âmbito, não pelo preço. Descreva a instalação, a fase em que está e o que lhe está a ser pedido, e definimos em conjunto que estudo responde ao problema, com que profundidade e com que sequência.

Kilamba, KK 5000 edifício A3b, Luanda +244 937 905 862 geral@safeflow.ao Segunda a sexta, 08:00 às 17:00