Qual a diferença entre avaliação de riscos profissionais e análise de riscos de processo?
A avaliação de riscos profissionais analisa a exposição do trabalhador ao seu posto e tarefa, e conduz a medidas de procedimento, formação e protecção individual. A análise de riscos de processo analisa cenários de perda de contenção da instalação, e conduz a medidas de projecto de engenharia, instrumentação de segurança e mitigação. São exercícios complementares, com métodos, equipas e resultados diferentes. Uma empresa pode cumprir integralmente o primeiro e estar exposta no segundo.
A legislação angolana obriga a realizar estudos de segurança de processos?
Não existe um diploma dedicado que imponha, por exemplo, «realizar HAZOP». Existem, sim, obrigações que na prática só se cumprem de forma defensável com esses estudos: os aspectos de segurança no plano de desenvolvimento e produção (artigo 22.º, alínea k), do Decreto n.º 1/09), as zonas de segurança (artigo 29.º), os procedimentos de segurança e emergência (artigo 31.º, alínea r)) e os sistemas de segurança operacional sujeitos a fiscalização (artigo 53.º, alínea f)). A par disso, os padrões corporativos das operadoras internacionais impõem-nos contratualmente aos seus fornecedores.
Já temos certificação ISO 45001. Isso não cobre a segurança de processos?
Não. A ISO 45001 é uma norma de sistema de gestão de segurança e saúde do trabalho, orientada à protecção do trabalhador. Não contém requisitos sobre integridade mecânica de equipamento sob pressão, gestão de alterações de processo, análise de perigos de processo, segurança funcional de sistemas instrumentados ou dimensionamento de alívio de pressão. Uma instalação certificada pode ter todos esses elementos ausentes e manter a certificação.
A minha instalação é pequena. Preciso mesmo de um estudo de perigos?
A dimensão da instalação não determina a severidade do cenário. Determinam-na o inventário, a pressão, a temperatura, a toxicidade e a distância a pessoas. Um reservatório de GPL de pequena capacidade junto a um edifício ocupado apresenta cenário mais severo do que uma unidade grande de fluido não inflamável em local isolado. Para instalações menos complexas existem métodos proporcionados, como o What-If estruturado ou a análise preliminar de perigos, com esforço muito inferior ao de um HAZOP completo.
Quanto tempo demora e quanto custa?
Depende do número de nós, da complexidade do processo e da qualidade da documentação disponível. Um What-If de instalação simples resolve-se em dias. Um HAZOP de unidade de processo ocupa tipicamente entre uma e três semanas de sessões. Uma análise quantitativa de riscos completa desenvolve-se ao longo de semanas a meses, porque depende de modelagem e de recolha de dados. Não trabalhamos com preço de tabela por este motivo: o âmbito determina o esforço, e definir o âmbito é a primeira coisa que fazemos, sem custo.
Os estudos são conduzidos em Angola?
As sessões de identificação de perigos, como HAZOP, HAZID e What-If, são conduzidas presencialmente na instalação ou em sala com a equipa do cliente, porque dependem de discussão entre pessoas que conhecem o equipamento. Trabalho de modelagem, cálculo e elaboração de relatório pode ser desenvolvido remotamente. Sessões em regime remoto ou misto são possíveis quando a logística o justifica, com perda de eficácia que é preciso assumir de forma honesta.
Que documentação preciso de reunir antes de começar?
Para um HAZOP: desenhos de tubagem e instrumentação actualizados e conferidos com o campo, fluxogramas de processo, balanços de massa e energia, fichas de dados de segurança das substâncias, filosofia de operação e de controlo, matriz de causa e efeito, lista de alarmes e intertravamentos, e histórico de eventos e alterações. A qualidade desta documentação é o factor que mais determina o valor do estudo. Se não estiver disponível ou não corresponder à instalação real, dizemo-lo antes de começar, e não depois.
Em que fase do projecto devo contratar?
O mais cedo que a informação permitir. O valor de um estudo de perigos é inversamente proporcional ao grau de congelamento do projecto: uma recomendação emitida em FEED implementa-se com alteração de desenho, enquanto a mesma recomendação emitida depois do arranque implica paragem, obra e perda de produção.