Todos os anos, entre Maio e Setembro, grande parte de Angola entra na época seca — o cacimbo. As chuvas param, a humidade do ar cai, as temperaturas sobem durante o dia e a vegetação seca acumula-se em torno de estaleiros, armazéns e unidades industriais. É precisamente nesta altura que o risco de incêndio nas empresas dispara. Este artigo explica por que o cacimbo é uma época crítica e o que a sua empresa deve fazer para prevenir incêndios, controlar queimadas e responder a uma emergência.
Porque é que o cacimbo aumenta o risco de incêndio?
A época seca reúne, ao mesmo tempo, todos os factores que um incêndio precisa para começar e para se propagar rapidamente:
- Vegetação seca abundante — capim, arbustos e restos vegetais transformam-se em combustível fino, que arde com uma simples faísca
- Humidade do ar reduzida — os materiais secam mais depressa e inflamam com maior facilidade
- Temperaturas elevadas durante o dia — aumentam a evaporação e o calor acumulado nas superfícies
- Vento — típico do cacimbo, transporta fagulhas e faz uma pequena chama tornar-se rapidamente num incêndio de grandes proporções
- Queimadas agrícolas na periferia — comuns nesta época e frequentemente descontroladas
Basta uma destas condições estar presente para o risco aumentar; no cacimbo elas ocorrem quase sempre em conjunto. Por isso, a prevenção de incêndios deve fazer parte da gestão da segurança no trabalho ao longo de todo o ano, mas ser reforçada de forma sazonal.
Principais causas de incêndio nas empresas angolanas
A maioria dos incêndios em ambiente empresarial tem origem humana ou técnica — ou seja, é evitável. As causas mais frequentes são:
Instalações eléctricas
Sobrecargas, tomadas e extensões improvisadas, cabos danificados, quadros eléctricos sem manutenção e a utilização intensiva de geradores são uma das principais causas de incêndio nas empresas em Angola. O uso generalizado de geradores durante cortes de energia, muitas vezes junto a materiais combustíveis, agrava este risco.
Trabalhos a quente
Soldadura, corte, esmerilagem e qualquer actividade que produza chama, faísca ou calor são críticas na época seca. Sem uma permissão de trabalho a quente, área limpa e um extintor por perto, uma única fagulha pode iniciar um incêndio.
Cigarros e fontes de ignição
Fumar em zonas não autorizadas — sobretudo perto de armazéns, combustíveis ou vegetação seca — continua a ser uma causa comum. O mesmo se aplica a fogueiras improvisadas e a equipamentos deixados ligados.
Armazenamento inadequado
Combustíveis, solventes, tintas, gás e outros produtos inflamáveis guardados sem separação, sem ventilação ou perto de fontes de calor criam condições ideais para um incêndio grave. O acumular de resíduos e materiais combustíveis dentro e à volta das instalações é outro factor de risco frequentemente subestimado.
Queimadas descontroladas junto a estaleiros e áreas industriais
Na época seca é comum a prática de queimadas para limpeza de terrenos agrícolas e pastagens. Quando ocorrem junto a estaleiros de construção, áreas rurais onde operam empresas ou instalações industriais isoladas, estas queimadas facilmente saltam para o perímetro da empresa — atingindo tanques, armazéns, viaturas e equipamentos.
O risco é maior em obras e operações afastadas dos centros urbanos, onde os meios de combate públicos demoram a chegar. Nestes locais, a empresa tem de ser a sua própria primeira linha de defesa: manter o perímetro limpo, criar barreiras à propagação e ter meios próprios de combate prontos a usar.
Meios de combate a incêndio: extintores e bocas-de-incêndio
Ter meios de combate adequados, no sítio certo e em condições de funcionar, é tão importante como a prevenção. O primeiro passo é escolher o extintor certo para cada classe de fogo:
- Classe A — sólidos combustíveis (madeira, papel, tecido, plásticos). Extintores de água ou pó ABC
- Classe B — líquidos inflamáveis (combustíveis, óleos, solventes, tintas). Extintores de pó ABC ou dióxido de carbono (CO₂)
- Classe C — gases inflamáveis e, em muitas classificações, equipamentos eléctricos sob tensão. Extintores de pó ABC ou CO₂ — nunca água
O extintor de pó ABC é o mais versátil e o mais indicado para a generalidade das empresas, por cobrir as três classes. Onde há muito equipamento eléctrico ou electrónico, o CO₂ é preferível por não deixar resíduos.
Manutenção e validade
Um extintor só serve se estiver operacional. Deve ser inspeccionado periodicamente, recarregado dentro da validade indicada e ter o manómetro na zona verde. Extintores fora de validade, despressurizados ou bloqueados por materiais são uma falha grave e frequentemente detectada em inspecção. Verifique também que estão bem sinalizados, desobstruídos e a uma altura acessível.
Bocas-de-incêndio e rede de água
Em instalações de maior dimensão, as bocas-de-incêndio (redes de hidrantes) permitem combater fogos que um extintor não domina. Devem ter pressão adequada, mangueiras em bom estado e ser testadas com regularidade. A localização de todos os meios de combate deve constar do Plano de Emergência Interno.
Organizar a resposta: brigada, plano e simulacros
Os equipamentos, por si só, não apagam incêndios — são pessoas treinadas que os usam. Uma resposta eficaz assenta em quatro pilares:
- Brigada de incêndio — trabalhadores designados e treinados para actuar nos primeiros minutos, dar o alarme, combater um foco inicial e coordenar a evacuação
- Plano de Emergência Interno — documento que define quem faz o quê, os procedimentos de alarme, os pontos de encontro e os contactos de emergência
- Simulacros periódicos — treinam a evacuação em condições reais, revelam falhas e reduzem o tempo de reacção quando conta
- Vias de evacuação e sinalização — caminhos desobstruídos, saídas de emergência sinalizadas, iluminação de emergência e pontos de encontro seguros e conhecidos por todos
A existência de um Plano de Emergência Interno é uma obrigação enquadrada no Código Geral do Trabalho — Lei n.º 7/15 e no Decreto n.º 31/94 (Regulamento Geral das Condições de Higiene, Segurança e Saúde no Trabalho). A formação em prevenção e combate a incêndios integra-se ainda na informação e formação de segurança (CIPAT) que o empregador deve assegurar a todos os trabalhadores.
A sua empresa está preparada para o cacimbo?
A Safeflow HSE avalia o risco de incêndio das suas instalações, verifica os meios de combate e ajuda a preparar a brigada e o plano de emergência antes da época seca.
Falar com a Safeflow →Medidas preventivas práticas para a época seca
Antes e durante o cacimbo, estas medidas reduzem significativamente o risco de incêndio na sua empresa:
- Limpeza de vegetação — cortar e remover capim, arbustos e matos secos no perímetro das instalações, tanques e armazéns
- Aceiros — abrir faixas de terra limpa em redor do estaleiro ou instalação, que funcionam como barreira à propagação de queimadas vindas do exterior
- Gestão de resíduos combustíveis — remover e não acumular paletes, cartão, panos com óleo, restos de obra e outros materiais que ardem com facilidade
- Armazenamento seguro de inflamáveis — separar, ventilar e afastar combustíveis e produtos químicos de fontes de calor e de ignição
- Controlo de fontes de ignição — zonas de fumadores delimitadas, permissões de trabalho a quente e inspecção das instalações eléctricas e geradores
- Meios de combate prontos — extintores verificados e sinalizados, rede de hidrantes testada e pontos de água identificados
- Sensibilização dos trabalhadores — reforçar as regras e o plano de actuação no início da época seca
Como a Safeflow apoia a sua empresa
A Safeflow HSE ajuda as empresas angolanas a atravessar a época seca com o risco de incêndio sob controlo. O nosso apoio inclui:
- Auditoria e avaliação do risco de incêndio das instalações, com identificação de não-conformidades
- Verificação dos meios de combate — extintores, sinalização, bocas-de-incêndio e vias de evacuação
- Elaboração e revisão do Plano de Emergência Interno
- Formação e organização da brigada de incêndio e realização de simulacros
- Plano sazonal de prevenção para a época seca — limpeza de vegetação, aceiros e gestão de resíduos
Não espere pela primeira ocorrência para agir. A prevenção antes do cacimbo custa uma fracção do que custa um incêndio — em activos, em paragem da actividade e, sobretudo, em vidas.